Você provavelmente já sentiu aquela sensação de frescor imediato logo após bochechar um antisséptico bucal. É tentador acreditar que, se o hálito está refrescante e a boca parece “limpa”, a missão do dia foi cumprida. Mas existe uma armadilha perigosa nessa percepção: o enxaguante bucal é, na verdade, um coadjuvante. Ele jamais terá a capacidade de remover a placa bacteriana, que é a verdadeira vilã por trás da cárie e da gengivite. O mito da limpeza química sem atrito A placa bacteriana é um biofilme, uma camada pegajosa de bactérias que adere com força ao esmalte do dente e à margem da gengiva.
Imagine que essa placa funciona como uma crosta de gordura em uma panela: apenas jogar água, por mais potente que seja o detergente, não fará a gordura desgrudar. Você precisa da esponja. Na boca, a escova de dentes e o fio dental são as nossas “esponjas”. Quando você utiliza apenas o enxaguante, você está agindo sobre a superfície, combatendo o odor e eliminando algumas bactérias que estão dispersas na saliva. Contudo, a estrutura da placa continua intacta. Se ela não for removida mecanicamente, ela se calcifica e se transforma em tártaro em questão de horas. Uma vez que o tártaro se instala, o enxaguante não faz absolutamente nada para removê-lo; apenas uma limpeza profissional no consultório consegue resolver.
Por que a ação mecânica é insubstituível A higienização eficaz exige desorganizar a colônia de bactérias. Isso ocorre através do atrito das cerdas da escova e do deslizamento do fio dental. Pense em um paciente que sofre com gengivite crônica: ele pode usar os enxaguantes mais caros do mercado, mas enquanto houver restos alimentares e placa alojados entre o dente e a gengiva, a inflamação persistirá. O enxaguante pode até camuflar o sangramento por um tempo, mas a causa raiz — o acúmulo mecânico — continuará lá.
Além disso, muitas pessoas cometem o erro de bochechar o enxaguante logo após a escovação, com o intuito de “potencializar” o flúor. Na verdade, isso acaba removendo o excesso de creme dental que deveria ficar agindo sobre o esmalte. O ideal, se você realmente faz questão do uso do enxaguante, é utilizá-lo em horários distantes da escovação ou verificar com seu dentista se o produto é realmente necessário para o seu caso específico. Dra Caroline Morgental clinica Odontologica balneario camboriu telefone